terça-feira, 17 de novembro de 2009
GERAÇÃO VALE-BUCHO
Vem aí a solução
O advento de doutores
Para nossa educação
Na geração "vale-bucho"
A presença é obrigação
Tudo começa com o
Salário maternidade
Bolsa escola, bolsa jovem
De toda diversidade
Então trabalhar por quê?
Se tem dinheiro à vontade
Mas para receber o vale
O filho tem que estudar
E não pode perder aula
Pra não se prejudicar
Se não o vale é cortado
E o dinheiro vai faltar
Se o aluno perde aula
Sua falta é registrada
E o dinheiro não virá
E a mãe a preocupar
Procura o CadÚnico
Pra saber da presepada
"- Eu vim aqui seu menino,
Pra saber do acontecido
Meu filho não perde aula
Acredite no que eu digo
Por que entao o senhor
Foi fazer isto comigo?"
"- A culpa, minha Senhora
Não é minha, vou falar
É da baixinha que informa
E se o sistema bloquear
Me traga a declaração
Que eu vou lhe ajudar"
E assim todos os dias
Os pais se sentem obrigados
A mandar o filho pra escola
Vivem, então, preocupados
Será com a aprendizagem
Ou com os vales acumulados?
E então nossas escolas
Com as salas super-lotadas
De alunos que só estudam
Na base de chicotadas
Ou vai ou a casa cai
"A educação à porrada".
(Autores: Manicô, Graciele, Aninha e Sandra)
GESTAR II
É uma formação boa
Mas cuidado pra nao pensar
Que ele é um curso à toa
A gente só precisa
De tempo para se dedicar
Pois resolvendo as atividades
Podemos nos prejudicar
A professora é competente
Sabe ensinar a gente
Se não levarmos a sério
Não podemos ir pra frente
Tivemos a oportunidade
De está aqui agora
Enquanto uns deram o nome
E depois pularam fora
Esse programa GESTAR
Da aprendizagem escolar
Nos faz acreditar
Que precisamos estudar
Este curso é muito bom
Precisamos frequantar
E dizer aos colegas
Que é muito errado faltar
(Autores: Maria do Carmo, Maria Helena,
Rachel Costa, Cicera Djane e Maria Robênia)
VIDA DE PROFESSOR (I)
O que nós vamos nos lembrar
Com orgulho e com amor
A nossa vida exaltar
Manhã, tarde e noite
Na escola ensinar
Agora nos deem licença
Pois precisamos concluir
A vida de professor
Que devemos cumprir
Levando para os alunos
O melhor a seguir
Precisamos ressaltar
Sobre nossa educação
Começou devagarinho
Mas com determinação
Passando alguns anos
Chegamos à evolução
E para complementar
A nossa inspiração
Vinda da alma ou do coração
Satisfazendo a população
Nessa nossa árdua missao
Conscientizando a nova geração
Com essa esperiência
Temos que agradecer
A grande competência
Que devemos ter
Melhorando a consciência
O aluno convencer
VIDA DE PROFESSOR (II)
É só a de professor
Sai semana, entra semana
Trabalhando com amor
E pra quem está de fora
Oh! Trabalho sem valor
O professor atual
Onde ele vai parar?
Tanto trabalho a fazer
Como irá aguentar?
A pressão é muito grande
É cobrança pra danar
O governo a toda hora
Joga a televisão
O IDEB está baixo
Veja que situação
Culpando o professor
Do caos da educação
Pra poder sobreviver
Tem que trabalhar dobrado
Pois com o mísero salário
Professor é explorado
Com excesso de trabalho
Da família é é isolado
E por falar em família
Logo vem em nossa mente
A família do aluno
Que sempre está ausente
Quando chega o fim do ano
Pense num povo presente!
Não podemos esquecer
A estrela principal
O aluno, o artista
Que de forma original
Disfarça sua preguiça
Com desculpa genial.
Na escola só conversa
Em casa não se dedica
Leva a vida de artista
Me diga como é que fica
O professor, o culpado,
Pra ele só sobra crítica.
(Autores: Adeiane Alves, José
Lucena e Sandra Arruda)
O artesanato feito aqui
Tem grande valia
É feito com maestria
Indo do Oiapoque ao Chuí
O carteiro com sua arte
Torna muito iteressante
Os enfeites na estante
Expondo sua parte
Conhecido como Cícero
Pedalando pelas ruas
Entregando as notícias
Ele é um homem sincero
Sua arte se expandiu
Por toda região
digo logo de antemão
Indo à exposição
Sucesso ele fez
Pediram outra vez
A sua apresentação
Casamento, batizado
Finados e Natal
Tem tudo afinal
Tudo é confeccionado
Lidia Sousa
Antonia Pereira
Socorro Canuto
Silva Pedrosa
V ENCONTRO
Atividades desenvolvidas no encontro:
- Continuação da confecção dos cordéis iniciados no encontro anterior (12/10);
- Apresentação dos cordéis (ver poesias e fotografias em anexo);
- Confecção de Xilogravuras (isopogravuras);
- Organização de varal de apresentação;
- Entrega e discussão do memorial de leitura.
“ PIPOCAS DA VIDA ”
“ Milho de pipoca que não passa pelo fogo continua a ser
milho para sempre. Assim acontece com a gente.
As grandes transformações acontecem quando
passamos pelo fogo.
Quem não passa pelo fogo, fica do mesmo jeito a vida
inteira. São pessoas de uma mesmice e uma dureza
assombrosa. Só que elas não percebem e acham que seu
jeito de ser é o melhor jeito de ser.
Mas, de repente, vem o fogo.
O fogo é quando a vida nos lança numa situação que
nunca imaginamos: a dor.
Pode ser fogo de fora: perder um amor, perder um
filho, o pai, a mãe, perder o emprego ou ficar pobre.
Pode ser fogo de dentro: pânico, medo, ansiedade,
depressão ou sofrimento, cujas causas ignoramos.
Há sempre o recurso do remédio: apagar o fogo!
Sem fogo o sofrimento diminui. Com isso, a
possibilidade da grande transformação também.
Imagino que a pobre pipoca, fechada dentro da panela,
lá dentro cada vez mais quente, pensa que sua hora
chegou: vai morrer. Dentro de sua casca dura, fechada
em si mesma, ela não pode imaginar um destino
diferente para si. Não pode imaginar a transformação
que está sendo preparada para ela. A pipoca não
imagina aquilo de que ela é capaz. Aí, sem aviso
prévio, pelo poder do fogo a grande transformação
acontece: BUM!
E ela aparece como uma outra coisa completamente
diferente, algo que ela mesma nunca havia sonhado.
Bom, mas ainda temos o piruá, que é o milho de pipoca
que se recusa a estourar. São como aquelas pessoas
que, por mais que o fogo esquente, se recusam a mudar.
Elas acham que não pode existir coisa mais maravilhosa
do que o jeito delas serem.
A presunção e o medo são a dura casca do milho
que não estoura. No entanto, o destino delas é triste,
já que ficarão duras a vida inteira. Não vão se
transformar na flor branca, macia e nutritiva.
Seja você também o milho que se transforma e não o piruá, que teme o crescimento, a mudança, a oportunidade do "novo".
Aceite as oportunidades! Seja você também a mudança que voce quer para o mundo!
segunda-feira, 16 de novembro de 2009
segunda-feira, 9 de novembro de 2009
Sou a primeira de uma família de três filhas, cujos pais sempre foram muito preocupados com a nossa educação acima de tudo, talvez por serem professores e estar sempre em contato com este mundo de descobertas que é a educação. Porém, mais tarde minha mãe, por ter ficado desempregada (na época, pra se manter empregado, fazia-se necessário que se deixasse de lado seus ideais e seguisse apenas àqueles que a política local determinasse e ela, não aceitando esta situação acabou perdendo o emprego), sem nenhuma perspectiva de retorno à área de educação, se submeteu a um concurso estadual na área de saúde e passou em primeiro lugar, o que pra mim na época foi alvo de muito orgulho e se eu já acreditava quando me diziam que é “a educação o melhor caminho para se quebrar as correntes da opressão, sendo sempre você mesmo e defendendo seus ideais de vida independente do que os outros queiram que você faça” a partir daquele momento eu não teria mais nenhuma dúvida, pois mesmo contra a vontade de políticos do lugar, ela fora convidada ao assumir aquele posto que lhe fora concedido.
Desde ainda criança sempre fui apaixonada pela leitura, devo isso a influência positiva de meu pai que sempre cobrava isso de mim e claro que para tanto, ele me enchia de livros infantis, gibis, enfim, leituras diversificadas que sempre me chamavam atenção, até mesmo os vinis que na época vinham com encarte musical e que ele sempre me desafiava a lê-los e “aprender” as letras das musicas antes mesmo de ouvi-las, que eu só receberia aquele presente quando eu merecesse (e o merecimento se daria a partir do momento em que eu, através da leitura, provasse pra ele que já havia aprendido tudo aquilo). Enfim, devo a ele o meu amor e apego aos livros e ao prazer que eles podem nos proporcionar.
Aos quatro anos de idade já lia fluentemente, o que causara espanto às minhas professoras do ‘prezinho’ que naquele momento não acreditaram quando me viram lendo quando deveria estar ainda na fase (que mais tarde seria chamada de pré-silábica) de reconhecimento de letras e números. Naquele momento, fui alvo de muito orgulho para meus pais, quando elas os chamaram e disseram que eu já era capaz de “acompanhar” uma turma de primeiro ano. Assim o fizeram, me conduzindo a “ultrapassar” a série que me seria devida de acordo com minha idade. A partir de então, começara uma vida de sucessivas “vitórias” escolares, sempre a buscando com o intuito de ouvir o elogio das bocas daqueles os quais eu devia a vida, sem contar nos seus sorrisos que eu, na minha inocência de criança só viria a compreender mais tarde. Como pais dedicados que eram os meus sempre sonharam com um futuro brilhante para nós, sempre diziam que acontecesse o que fosse, queriam nos ver formadas, que jamais se perdoariam se isto não se concretizasse. Portanto, fora essa sua meta.
Quando iniciei a minha vida estudantil, tudo era muito diferente, ao começar pelo acesso à leitura que era muito escasso, as escolas públicas – nas quais sempre estudei – não possuíam biblioteca própria, se quiséssemos acesso a livros, teríamos que procurá-los na biblioteca municipal, a qual era a única que assistia todo o município, mesmo possuindo um acervo bibliográfico muito pequeno, devido a esse problema raramente conseguia alguma obra de lá, assim, geralmente meu pai pegava emprestado os livros dos filhos de seus amigos, já que não dispunha de dinheiro suficiente para comprá-los.
Recordo-me ainda com muito carinho do primeiro livro que possui, na época com sete anos de idade, na realidade, uma coleção de quatro livros infantis, com capa em 3D, jamais esquecerei aquele presente que o guardaria com tanto carinho durante muito tempo. Eu li e reli os livros por inúmeras vezes, jamais me cansando daquela leitura que já a tinha ate decorada, mas fingia ser sempre a primeira vez, a emoção era a mesma de então, sobretudo de ver aquela capa tão interessante que “mudava a figura cada vez que eu o movia” e que eu, na minha ingenuidade infantil, ficava a imaginar como aquilo seria possível...
Foram inúmeros os momentos que marcaram minha vida escolar, sobretudo do pré a oitava série (final do ensino fundamental), mas recordo-me nitidamente, não de uma aula especifica, mas de um professor que tivemos justamente na oitava série, na época sequer havíamos ouvido falar em ‘literatura’ e ele nos apresentou aquela disciplina que mais tarde seria alvo de trauma pra mim que amava a leitura, os livros... Enfim, aquele professor surgiu então, com ideais inovadores, uma metodologia totalmente diferenciada da que estávamos acostumados a seguir, o que é muito comum em professores recém saídos da universidade. E aquilo pra nós fora um choque, primeiro a disciplina – novidade pra o nosso “mundo” – e depois aquele estilo tão diferente de lecionar que demoramos a nos adaptar. Tudo isto, talvez ainda a minha “segurança” por achar que me adaptava a tudo com facilidade e mais a fase em que estava vivendo na época (apenas com quatorze anos, fase de transição, descobertas...) fizeram com que eu, pela primeira vez, fosse à recuperação no final do ano. Meu Deus! Como aquilo me chocara! Mesmo porque, fora por questão de décimos (0,20) que me levaram àquela situação. Meu pai, que era professor na mesma escola, não permitiu que o professor fizesse nada, mesmo ele dizendo que não havia problema algum, que o próprio sistema iria ‘arredondar’ a nota, mas ele insistiu para que ele a diminuísse, pois segundo ele “iria servir de lição, pois se aquilo estava me acontecendo, não havia motivo”. Ele sempre fora muito severo com nossa educação, mas isto foi bom, pois com certeza foi sua severidade que nos fizera chegar onde estamos, tanto eu, quanto minhas irmãs. E, para finalizar a estória, o professor orientara para os alunos, que como eu, ficaram na final em sua disciplina, o estudo de todo conteúdo visto durante o ano e a leitura de três livros literários (ainda recordo quais foram: Iracema e Senhora – José de Alencar e Dom Casmurro – Machado de Assis) e tínhamos menos de trinta dias pra revisar tudo aquilo e ler as obras. Eu, para variar, fiquei de castigo durante todas as festas de fim de ano, nada de natal com os amigos, reveillow, amigo secreto, pelo contrário, fazia questão de me acordar todos os dias às quatro da manha para iniciar meu estudo diário e, assim o fiz durante todo o mês. Foi meio traumatizante toda aquela situação, mas valeu à pena, pois cresci bastante com tudo aquilo.
O meu Ensino Médio foi marcado por muito estudo e dedicação. Destaquei-me bastante dentre os meus colegas e até passei a reforçar alguns em algumas disciplinas, com os quais adquirira mais amizade. No instante em que eu os ‘ensinava’, estava também aprendendo muito mais. Na época, no município em que moro não existia outro curso a nível de segundo grau senão o magistério e eu tive que fazê-lo mesmo não me sentindo muito atraída por ele. Porém, mal sabia eu que seria aquele curso que determinaria toda a minha vida profissional. Nele pude ter oportunidade de (re) conhecer a melhor e mais dedicada educadora, aquela que um dia já havia marcado minha vida escolar, novamente estaria nela, porém desta vez pra ajudar-me a determinar a minha vida profissional. Ela que nascera com o dom de ensinar pessoas, de conduzir, de induzir estas pessoas a novos caminhos, a novas descobertas. A melhor professora de Língua Portuguesa que conhecera, o seu domínio de sala, de conteúdo, sua metodologia, tudo aquilo era motivo pra nos apaixonarmos cada vez mais não só por ela mas também pela disciplina, pelo curso... Costumávamos dizer que sua aula era muito mais que uma simples aula, era um verdadeiro “show”. Com ela aprendi muito mais que português, aprendi a sonhar auto e, sobretudo, como era maravilhoso correr atrás destes sonhos e vê-los realizados.
Mas é claro que nem tudo eram “flores”, nem toda disciplina nos agradava, a mim principalmente, que a principio não pretendia ser professora, que estaria ali por falta de opção, mas que queria mesmo era seguir outro caminho. Assim, por causa deste meu “desamor” à profissão, não gostei nem pouco da disciplina de Didática, achava aquilo uma “besteira”, uma verdadeira infantilidade – Ensinar a ensinar – que absurdo aquilo parecia pra mim. Porém, mais tarde viria compreender o quanto importante ela seria para minha formação profissional.
Chegara então o momento da realização de meu grande sonho – a Universidade – mas junto com ela, vieram inúmeras dificuldades, ao começar pela distancia que teria que percorrer todas as noites que era o que mais me afligia – seriam quase cem quilômetros que encararia para chegar ao meu destino, isto por ser aquela a universidade mais próxima do município em que eu morava. Ao iniciar as aulas, a ‘emoção’ do ‘novo’: a grade curricular, a metodologia, os professores, os colegas, enfim, tudo aquilo mais parecia um sonho. Ainda recordo a primeira aula: Introdução à Filosofia, a professora era encantadora, muito dinâmica, extrovertida e de cara já me fez encantar-me com a disciplina quando nos falara do “Mito da Caverna”. A partir de então, passei a me interessar por tudo o que se referia àquela disciplina. Mas, se por um lado houvera aquela disciplina tão bem “recebida” por nós, haveria outra que já fora iniciada nos causando um certo transtorno pela forma com que nos fora apresentada – sem nenhum atrativo, por um professor aparentemente cansado que pouco marcaria nossa vida acadêmica, sendo que lecionava a disciplina História da Evolução da Educação no Brasil, que como qualquer outra disciplina exigia muita leitura e nós, se quisemos, que precisamos nos ‘virar’ sozinhos, porque no que dependia do nosso professor, deixava muito a desejar. Porém fora esta a única disciplina que nos causara um certo “trauma”, pois as demais foram sempre muito atrativas, nas quais eu fazia questão de mesmo com muito sacrifício, não faltar a nenhuma aula, não repetir nenhuma disciplina e tampouco ficara pra segunda chamada, sempre tinha medo que acontecesse algo deste tipo e me dedicava muito pra evitá-lo, pois sabia do quanto seria complicado pra mim se o ocorresse devido às difíceis condições que me cercavam na época.
Recordo-me também do primeiro livro que fora indicado à leitura para que ao final fosse feito um fichamento (diga-se de passagem, nunca tinha ouvido falar em “fichamento”), fora uma obra do Educador Paulo Freire – Pedagogia da Autonomia, que muito me marcou pela sua proposta de valorização e respeito à cultura do educando, como forma de construir sua autonomia. A partir desta leitura, pude então repensar o meu conceito acerca da educação e suas práticas de ensino, o que fora muito positivo para minha formação profissional.
Minha vida universitária foi marcada por um mundo de leitura diversificado, apesar do pouco tempo que dispunha devido à minha carga-horária intensa de trabalho, sempre encontrava tempo para uma obra literária e, hoje isto não é diferente, permaneço com o meu tempo bastante preenchido – agora mais ainda – porém, não perco a oportunidade de adquirir mais conhecimentos, até porque minha profissão exige isto de mim e mesmo que assim não o fosse, a prática da leitura me faz esquecer os problemas, as dificuldades, tornando-se assim uma verdadeira terapia, não a pratico por “obrigação” ou “necessidade” e sim por prazer.
