segunda-feira, 9 de novembro de 2009
MEMORIAL DE LEITURA
Sou a primeira de uma família de três filhas, cujos pais sempre foram muito preocupados com a nossa educação acima de tudo, talvez por serem professores e estar sempre em contato com este mundo de descobertas que é a educação. Porém, mais tarde minha mãe, por ter ficado desempregada (na época, pra se manter empregado, fazia-se necessário que se deixasse de lado seus ideais e seguisse apenas àqueles que a política local determinasse e ela, não aceitando esta situação acabou perdendo o emprego), sem nenhuma perspectiva de retorno à área de educação, se submeteu a um concurso estadual na área de saúde e passou em primeiro lugar, o que pra mim na época foi alvo de muito orgulho e se eu já acreditava quando me diziam que é “a educação o melhor caminho para se quebrar as correntes da opressão, sendo sempre você mesmo e defendendo seus ideais de vida independente do que os outros queiram que você faça” a partir daquele momento eu não teria mais nenhuma dúvida, pois mesmo contra a vontade de políticos do lugar, ela fora convidada ao assumir aquele posto que lhe fora concedido.
Desde ainda criança sempre fui apaixonada pela leitura, devo isso a influência positiva de meu pai que sempre cobrava isso de mim e claro que para tanto, ele me enchia de livros infantis, gibis, enfim, leituras diversificadas que sempre me chamavam atenção, até mesmo os vinis que na época vinham com encarte musical e que ele sempre me desafiava a lê-los e “aprender” as letras das musicas antes mesmo de ouvi-las, que eu só receberia aquele presente quando eu merecesse (e o merecimento se daria a partir do momento em que eu, através da leitura, provasse pra ele que já havia aprendido tudo aquilo). Enfim, devo a ele o meu amor e apego aos livros e ao prazer que eles podem nos proporcionar.
Aos quatro anos de idade já lia fluentemente, o que causara espanto às minhas professoras do ‘prezinho’ que naquele momento não acreditaram quando me viram lendo quando deveria estar ainda na fase (que mais tarde seria chamada de pré-silábica) de reconhecimento de letras e números. Naquele momento, fui alvo de muito orgulho para meus pais, quando elas os chamaram e disseram que eu já era capaz de “acompanhar” uma turma de primeiro ano. Assim o fizeram, me conduzindo a “ultrapassar” a série que me seria devida de acordo com minha idade. A partir de então, começara uma vida de sucessivas “vitórias” escolares, sempre a buscando com o intuito de ouvir o elogio das bocas daqueles os quais eu devia a vida, sem contar nos seus sorrisos que eu, na minha inocência de criança só viria a compreender mais tarde. Como pais dedicados que eram os meus sempre sonharam com um futuro brilhante para nós, sempre diziam que acontecesse o que fosse, queriam nos ver formadas, que jamais se perdoariam se isto não se concretizasse. Portanto, fora essa sua meta.
Quando iniciei a minha vida estudantil, tudo era muito diferente, ao começar pelo acesso à leitura que era muito escasso, as escolas públicas – nas quais sempre estudei – não possuíam biblioteca própria, se quiséssemos acesso a livros, teríamos que procurá-los na biblioteca municipal, a qual era a única que assistia todo o município, mesmo possuindo um acervo bibliográfico muito pequeno, devido a esse problema raramente conseguia alguma obra de lá, assim, geralmente meu pai pegava emprestado os livros dos filhos de seus amigos, já que não dispunha de dinheiro suficiente para comprá-los.
Recordo-me ainda com muito carinho do primeiro livro que possui, na época com sete anos de idade, na realidade, uma coleção de quatro livros infantis, com capa em 3D, jamais esquecerei aquele presente que o guardaria com tanto carinho durante muito tempo. Eu li e reli os livros por inúmeras vezes, jamais me cansando daquela leitura que já a tinha ate decorada, mas fingia ser sempre a primeira vez, a emoção era a mesma de então, sobretudo de ver aquela capa tão interessante que “mudava a figura cada vez que eu o movia” e que eu, na minha ingenuidade infantil, ficava a imaginar como aquilo seria possível...
Foram inúmeros os momentos que marcaram minha vida escolar, sobretudo do pré a oitava série (final do ensino fundamental), mas recordo-me nitidamente, não de uma aula especifica, mas de um professor que tivemos justamente na oitava série, na época sequer havíamos ouvido falar em ‘literatura’ e ele nos apresentou aquela disciplina que mais tarde seria alvo de trauma pra mim que amava a leitura, os livros... Enfim, aquele professor surgiu então, com ideais inovadores, uma metodologia totalmente diferenciada da que estávamos acostumados a seguir, o que é muito comum em professores recém saídos da universidade. E aquilo pra nós fora um choque, primeiro a disciplina – novidade pra o nosso “mundo” – e depois aquele estilo tão diferente de lecionar que demoramos a nos adaptar. Tudo isto, talvez ainda a minha “segurança” por achar que me adaptava a tudo com facilidade e mais a fase em que estava vivendo na época (apenas com quatorze anos, fase de transição, descobertas...) fizeram com que eu, pela primeira vez, fosse à recuperação no final do ano. Meu Deus! Como aquilo me chocara! Mesmo porque, fora por questão de décimos (0,20) que me levaram àquela situação. Meu pai, que era professor na mesma escola, não permitiu que o professor fizesse nada, mesmo ele dizendo que não havia problema algum, que o próprio sistema iria ‘arredondar’ a nota, mas ele insistiu para que ele a diminuísse, pois segundo ele “iria servir de lição, pois se aquilo estava me acontecendo, não havia motivo”. Ele sempre fora muito severo com nossa educação, mas isto foi bom, pois com certeza foi sua severidade que nos fizera chegar onde estamos, tanto eu, quanto minhas irmãs. E, para finalizar a estória, o professor orientara para os alunos, que como eu, ficaram na final em sua disciplina, o estudo de todo conteúdo visto durante o ano e a leitura de três livros literários (ainda recordo quais foram: Iracema e Senhora – José de Alencar e Dom Casmurro – Machado de Assis) e tínhamos menos de trinta dias pra revisar tudo aquilo e ler as obras. Eu, para variar, fiquei de castigo durante todas as festas de fim de ano, nada de natal com os amigos, reveillow, amigo secreto, pelo contrário, fazia questão de me acordar todos os dias às quatro da manha para iniciar meu estudo diário e, assim o fiz durante todo o mês. Foi meio traumatizante toda aquela situação, mas valeu à pena, pois cresci bastante com tudo aquilo.
O meu Ensino Médio foi marcado por muito estudo e dedicação. Destaquei-me bastante dentre os meus colegas e até passei a reforçar alguns em algumas disciplinas, com os quais adquirira mais amizade. No instante em que eu os ‘ensinava’, estava também aprendendo muito mais. Na época, no município em que moro não existia outro curso a nível de segundo grau senão o magistério e eu tive que fazê-lo mesmo não me sentindo muito atraída por ele. Porém, mal sabia eu que seria aquele curso que determinaria toda a minha vida profissional. Nele pude ter oportunidade de (re) conhecer a melhor e mais dedicada educadora, aquela que um dia já havia marcado minha vida escolar, novamente estaria nela, porém desta vez pra ajudar-me a determinar a minha vida profissional. Ela que nascera com o dom de ensinar pessoas, de conduzir, de induzir estas pessoas a novos caminhos, a novas descobertas. A melhor professora de Língua Portuguesa que conhecera, o seu domínio de sala, de conteúdo, sua metodologia, tudo aquilo era motivo pra nos apaixonarmos cada vez mais não só por ela mas também pela disciplina, pelo curso... Costumávamos dizer que sua aula era muito mais que uma simples aula, era um verdadeiro “show”. Com ela aprendi muito mais que português, aprendi a sonhar auto e, sobretudo, como era maravilhoso correr atrás destes sonhos e vê-los realizados.
Mas é claro que nem tudo eram “flores”, nem toda disciplina nos agradava, a mim principalmente, que a principio não pretendia ser professora, que estaria ali por falta de opção, mas que queria mesmo era seguir outro caminho. Assim, por causa deste meu “desamor” à profissão, não gostei nem pouco da disciplina de Didática, achava aquilo uma “besteira”, uma verdadeira infantilidade – Ensinar a ensinar – que absurdo aquilo parecia pra mim. Porém, mais tarde viria compreender o quanto importante ela seria para minha formação profissional.
Chegara então o momento da realização de meu grande sonho – a Universidade – mas junto com ela, vieram inúmeras dificuldades, ao começar pela distancia que teria que percorrer todas as noites que era o que mais me afligia – seriam quase cem quilômetros que encararia para chegar ao meu destino, isto por ser aquela a universidade mais próxima do município em que eu morava. Ao iniciar as aulas, a ‘emoção’ do ‘novo’: a grade curricular, a metodologia, os professores, os colegas, enfim, tudo aquilo mais parecia um sonho. Ainda recordo a primeira aula: Introdução à Filosofia, a professora era encantadora, muito dinâmica, extrovertida e de cara já me fez encantar-me com a disciplina quando nos falara do “Mito da Caverna”. A partir de então, passei a me interessar por tudo o que se referia àquela disciplina. Mas, se por um lado houvera aquela disciplina tão bem “recebida” por nós, haveria outra que já fora iniciada nos causando um certo transtorno pela forma com que nos fora apresentada – sem nenhum atrativo, por um professor aparentemente cansado que pouco marcaria nossa vida acadêmica, sendo que lecionava a disciplina História da Evolução da Educação no Brasil, que como qualquer outra disciplina exigia muita leitura e nós, se quisemos, que precisamos nos ‘virar’ sozinhos, porque no que dependia do nosso professor, deixava muito a desejar. Porém fora esta a única disciplina que nos causara um certo “trauma”, pois as demais foram sempre muito atrativas, nas quais eu fazia questão de mesmo com muito sacrifício, não faltar a nenhuma aula, não repetir nenhuma disciplina e tampouco ficara pra segunda chamada, sempre tinha medo que acontecesse algo deste tipo e me dedicava muito pra evitá-lo, pois sabia do quanto seria complicado pra mim se o ocorresse devido às difíceis condições que me cercavam na época.
Recordo-me também do primeiro livro que fora indicado à leitura para que ao final fosse feito um fichamento (diga-se de passagem, nunca tinha ouvido falar em “fichamento”), fora uma obra do Educador Paulo Freire – Pedagogia da Autonomia, que muito me marcou pela sua proposta de valorização e respeito à cultura do educando, como forma de construir sua autonomia. A partir desta leitura, pude então repensar o meu conceito acerca da educação e suas práticas de ensino, o que fora muito positivo para minha formação profissional.
Minha vida universitária foi marcada por um mundo de leitura diversificado, apesar do pouco tempo que dispunha devido à minha carga-horária intensa de trabalho, sempre encontrava tempo para uma obra literária e, hoje isto não é diferente, permaneço com o meu tempo bastante preenchido – agora mais ainda – porém, não perco a oportunidade de adquirir mais conhecimentos, até porque minha profissão exige isto de mim e mesmo que assim não o fosse, a prática da leitura me faz esquecer os problemas, as dificuldades, tornando-se assim uma verdadeira terapia, não a pratico por “obrigação” ou “necessidade” e sim por prazer.
Sou a primeira de uma família de três filhas, cujos pais sempre foram muito preocupados com a nossa educação acima de tudo, talvez por serem professores e estar sempre em contato com este mundo de descobertas que é a educação. Porém, mais tarde minha mãe, por ter ficado desempregada (na época, pra se manter empregado, fazia-se necessário que se deixasse de lado seus ideais e seguisse apenas àqueles que a política local determinasse e ela, não aceitando esta situação acabou perdendo o emprego), sem nenhuma perspectiva de retorno à área de educação, se submeteu a um concurso estadual na área de saúde e passou em primeiro lugar, o que pra mim na época foi alvo de muito orgulho e se eu já acreditava quando me diziam que é “a educação o melhor caminho para se quebrar as correntes da opressão, sendo sempre você mesmo e defendendo seus ideais de vida independente do que os outros queiram que você faça” a partir daquele momento eu não teria mais nenhuma dúvida, pois mesmo contra a vontade de políticos do lugar, ela fora convidada ao assumir aquele posto que lhe fora concedido.
Desde ainda criança sempre fui apaixonada pela leitura, devo isso a influência positiva de meu pai que sempre cobrava isso de mim e claro que para tanto, ele me enchia de livros infantis, gibis, enfim, leituras diversificadas que sempre me chamavam atenção, até mesmo os vinis que na época vinham com encarte musical e que ele sempre me desafiava a lê-los e “aprender” as letras das musicas antes mesmo de ouvi-las, que eu só receberia aquele presente quando eu merecesse (e o merecimento se daria a partir do momento em que eu, através da leitura, provasse pra ele que já havia aprendido tudo aquilo). Enfim, devo a ele o meu amor e apego aos livros e ao prazer que eles podem nos proporcionar.
Aos quatro anos de idade já lia fluentemente, o que causara espanto às minhas professoras do ‘prezinho’ que naquele momento não acreditaram quando me viram lendo quando deveria estar ainda na fase (que mais tarde seria chamada de pré-silábica) de reconhecimento de letras e números. Naquele momento, fui alvo de muito orgulho para meus pais, quando elas os chamaram e disseram que eu já era capaz de “acompanhar” uma turma de primeiro ano. Assim o fizeram, me conduzindo a “ultrapassar” a série que me seria devida de acordo com minha idade. A partir de então, começara uma vida de sucessivas “vitórias” escolares, sempre a buscando com o intuito de ouvir o elogio das bocas daqueles os quais eu devia a vida, sem contar nos seus sorrisos que eu, na minha inocência de criança só viria a compreender mais tarde. Como pais dedicados que eram os meus sempre sonharam com um futuro brilhante para nós, sempre diziam que acontecesse o que fosse, queriam nos ver formadas, que jamais se perdoariam se isto não se concretizasse. Portanto, fora essa sua meta.
Quando iniciei a minha vida estudantil, tudo era muito diferente, ao começar pelo acesso à leitura que era muito escasso, as escolas públicas – nas quais sempre estudei – não possuíam biblioteca própria, se quiséssemos acesso a livros, teríamos que procurá-los na biblioteca municipal, a qual era a única que assistia todo o município, mesmo possuindo um acervo bibliográfico muito pequeno, devido a esse problema raramente conseguia alguma obra de lá, assim, geralmente meu pai pegava emprestado os livros dos filhos de seus amigos, já que não dispunha de dinheiro suficiente para comprá-los.
Recordo-me ainda com muito carinho do primeiro livro que possui, na época com sete anos de idade, na realidade, uma coleção de quatro livros infantis, com capa em 3D, jamais esquecerei aquele presente que o guardaria com tanto carinho durante muito tempo. Eu li e reli os livros por inúmeras vezes, jamais me cansando daquela leitura que já a tinha ate decorada, mas fingia ser sempre a primeira vez, a emoção era a mesma de então, sobretudo de ver aquela capa tão interessante que “mudava a figura cada vez que eu o movia” e que eu, na minha ingenuidade infantil, ficava a imaginar como aquilo seria possível...
Foram inúmeros os momentos que marcaram minha vida escolar, sobretudo do pré a oitava série (final do ensino fundamental), mas recordo-me nitidamente, não de uma aula especifica, mas de um professor que tivemos justamente na oitava série, na época sequer havíamos ouvido falar em ‘literatura’ e ele nos apresentou aquela disciplina que mais tarde seria alvo de trauma pra mim que amava a leitura, os livros... Enfim, aquele professor surgiu então, com ideais inovadores, uma metodologia totalmente diferenciada da que estávamos acostumados a seguir, o que é muito comum em professores recém saídos da universidade. E aquilo pra nós fora um choque, primeiro a disciplina – novidade pra o nosso “mundo” – e depois aquele estilo tão diferente de lecionar que demoramos a nos adaptar. Tudo isto, talvez ainda a minha “segurança” por achar que me adaptava a tudo com facilidade e mais a fase em que estava vivendo na época (apenas com quatorze anos, fase de transição, descobertas...) fizeram com que eu, pela primeira vez, fosse à recuperação no final do ano. Meu Deus! Como aquilo me chocara! Mesmo porque, fora por questão de décimos (0,20) que me levaram àquela situação. Meu pai, que era professor na mesma escola, não permitiu que o professor fizesse nada, mesmo ele dizendo que não havia problema algum, que o próprio sistema iria ‘arredondar’ a nota, mas ele insistiu para que ele a diminuísse, pois segundo ele “iria servir de lição, pois se aquilo estava me acontecendo, não havia motivo”. Ele sempre fora muito severo com nossa educação, mas isto foi bom, pois com certeza foi sua severidade que nos fizera chegar onde estamos, tanto eu, quanto minhas irmãs. E, para finalizar a estória, o professor orientara para os alunos, que como eu, ficaram na final em sua disciplina, o estudo de todo conteúdo visto durante o ano e a leitura de três livros literários (ainda recordo quais foram: Iracema e Senhora – José de Alencar e Dom Casmurro – Machado de Assis) e tínhamos menos de trinta dias pra revisar tudo aquilo e ler as obras. Eu, para variar, fiquei de castigo durante todas as festas de fim de ano, nada de natal com os amigos, reveillow, amigo secreto, pelo contrário, fazia questão de me acordar todos os dias às quatro da manha para iniciar meu estudo diário e, assim o fiz durante todo o mês. Foi meio traumatizante toda aquela situação, mas valeu à pena, pois cresci bastante com tudo aquilo.
O meu Ensino Médio foi marcado por muito estudo e dedicação. Destaquei-me bastante dentre os meus colegas e até passei a reforçar alguns em algumas disciplinas, com os quais adquirira mais amizade. No instante em que eu os ‘ensinava’, estava também aprendendo muito mais. Na época, no município em que moro não existia outro curso a nível de segundo grau senão o magistério e eu tive que fazê-lo mesmo não me sentindo muito atraída por ele. Porém, mal sabia eu que seria aquele curso que determinaria toda a minha vida profissional. Nele pude ter oportunidade de (re) conhecer a melhor e mais dedicada educadora, aquela que um dia já havia marcado minha vida escolar, novamente estaria nela, porém desta vez pra ajudar-me a determinar a minha vida profissional. Ela que nascera com o dom de ensinar pessoas, de conduzir, de induzir estas pessoas a novos caminhos, a novas descobertas. A melhor professora de Língua Portuguesa que conhecera, o seu domínio de sala, de conteúdo, sua metodologia, tudo aquilo era motivo pra nos apaixonarmos cada vez mais não só por ela mas também pela disciplina, pelo curso... Costumávamos dizer que sua aula era muito mais que uma simples aula, era um verdadeiro “show”. Com ela aprendi muito mais que português, aprendi a sonhar auto e, sobretudo, como era maravilhoso correr atrás destes sonhos e vê-los realizados.
Mas é claro que nem tudo eram “flores”, nem toda disciplina nos agradava, a mim principalmente, que a principio não pretendia ser professora, que estaria ali por falta de opção, mas que queria mesmo era seguir outro caminho. Assim, por causa deste meu “desamor” à profissão, não gostei nem pouco da disciplina de Didática, achava aquilo uma “besteira”, uma verdadeira infantilidade – Ensinar a ensinar – que absurdo aquilo parecia pra mim. Porém, mais tarde viria compreender o quanto importante ela seria para minha formação profissional.
Chegara então o momento da realização de meu grande sonho – a Universidade – mas junto com ela, vieram inúmeras dificuldades, ao começar pela distancia que teria que percorrer todas as noites que era o que mais me afligia – seriam quase cem quilômetros que encararia para chegar ao meu destino, isto por ser aquela a universidade mais próxima do município em que eu morava. Ao iniciar as aulas, a ‘emoção’ do ‘novo’: a grade curricular, a metodologia, os professores, os colegas, enfim, tudo aquilo mais parecia um sonho. Ainda recordo a primeira aula: Introdução à Filosofia, a professora era encantadora, muito dinâmica, extrovertida e de cara já me fez encantar-me com a disciplina quando nos falara do “Mito da Caverna”. A partir de então, passei a me interessar por tudo o que se referia àquela disciplina. Mas, se por um lado houvera aquela disciplina tão bem “recebida” por nós, haveria outra que já fora iniciada nos causando um certo transtorno pela forma com que nos fora apresentada – sem nenhum atrativo, por um professor aparentemente cansado que pouco marcaria nossa vida acadêmica, sendo que lecionava a disciplina História da Evolução da Educação no Brasil, que como qualquer outra disciplina exigia muita leitura e nós, se quisemos, que precisamos nos ‘virar’ sozinhos, porque no que dependia do nosso professor, deixava muito a desejar. Porém fora esta a única disciplina que nos causara um certo “trauma”, pois as demais foram sempre muito atrativas, nas quais eu fazia questão de mesmo com muito sacrifício, não faltar a nenhuma aula, não repetir nenhuma disciplina e tampouco ficara pra segunda chamada, sempre tinha medo que acontecesse algo deste tipo e me dedicava muito pra evitá-lo, pois sabia do quanto seria complicado pra mim se o ocorresse devido às difíceis condições que me cercavam na época.
Recordo-me também do primeiro livro que fora indicado à leitura para que ao final fosse feito um fichamento (diga-se de passagem, nunca tinha ouvido falar em “fichamento”), fora uma obra do Educador Paulo Freire – Pedagogia da Autonomia, que muito me marcou pela sua proposta de valorização e respeito à cultura do educando, como forma de construir sua autonomia. A partir desta leitura, pude então repensar o meu conceito acerca da educação e suas práticas de ensino, o que fora muito positivo para minha formação profissional.
Minha vida universitária foi marcada por um mundo de leitura diversificado, apesar do pouco tempo que dispunha devido à minha carga-horária intensa de trabalho, sempre encontrava tempo para uma obra literária e, hoje isto não é diferente, permaneço com o meu tempo bastante preenchido – agora mais ainda – porém, não perco a oportunidade de adquirir mais conhecimentos, até porque minha profissão exige isto de mim e mesmo que assim não o fosse, a prática da leitura me faz esquecer os problemas, as dificuldades, tornando-se assim uma verdadeira terapia, não a pratico por “obrigação” ou “necessidade” e sim por prazer.
Assinar:
Comentários (Atom)
